Não me lembro como consegui sair, nem do fim da brincadeira, se me acharam ou não, só me lembro que tive medo e não contei para ninguém.
Penso, se eu contar vão achar que a culpa é minha, talvez achem que eu provoquei a situação. Porque eu não reagi?
Tranco isso numa gaveta! Mas nunca se sabe o q vai encontrar quando a gaveta for aberta. Aquilo pode crescer durante anos, como um bolor que vai atingindo outras gavetas, o quarto, crescendo e impregnando seu cheiro pútrefo pela casa inteira.
Não posso mais me livrar do bolor, nem consigo distinguir a forma que era, da forma que vejo. Não sei mais o que tranquei na gaveta, o quanto esse bolor se misturou à mim nesses anos crescendo trancado, vazando pelas frestas, me transformando lentamente.
Como eu seria sem esse bolor misturado em minha alma? E se eu não tivesse trancado?
Odeio não ter respostas.
Sinto como se carregasse um monte de bolores, e não consigo me livrar deles.
Quero minha pureza de volta.
Me sinto cheia com a gaveta fechada, agora depois de aberta sinto um vazio, e a dor e a culpa começam a encher esse buraco, ou já estavam lá, junto com o bolor.
Saio correndo de mim, vou arrancando minhas roupas, peça a peça deixando caídas no chão, não quero carregar mais nada...
Corro para entrar em um mundo diferente, que me acolha e me aqueça. Um mundo onde sempre tenha sol, onde minhas brincadeiras sejam boas, onde todos me aceitem, onde não haja tragédias, onde um pintinho esmagado possa viver, onde o bolor não cresça, onde ninguém, seja abandonado, onde todos são compreendidos...
Não existe mundo perfieto em nenhum lugar, nós precisamos ser fortes o suficiente para fazermos do mundo em que vivemos o melhor possível para nós, e talvez existam gavetas que seja melhor nunca serem abertas...ou melhor não a fecharmos e compartilharmos com as pessoas q nos amam pois essas sim sempre nos compreenderão. Beijos da sua irmã q t amam muito!
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