sexta-feira, 9 de abril de 2010

Nunca Cindelera

Estou eufórica porque hoje terá uma festa em casa.
Adoro visitas, a casa vai ficar cheia de pessoas falantes, alegres.
Vão beber cerveja, vão falar e rir alto. Vou brincar bastante...
As pessoas começam a chegar, cada toque da campanhia me deixa feliz, quanta gente: primos, tios, irmãos, pais.
Estou tão arrumada, uso a sandália nova que minha mãe me deu, uma Melissinha transparente. Corro de um lado para o outro brincando de pega. De repente, numa corrida veloz, minha sandálinha arrebenta...
Porque minhas sandálias sempre arrebentam?
Não tem jeito de colar, acabou-se a sandália. Não existe mais par, apenas um pé inteiro, e um destruído.
Estou tão frustrada, o tênis que minha mãe me deu para colocar no lugar da sandália, não combina com meu vestido.
A brincadeira j á não tem tanta graça, o tênis me incomoda. Não me sinto mais Cindelera, serei sempre a borralheira suja, que estraga o que gosta.
Saio da brincadeira, chego perto da mesa, vejo um copo de cerveja esquecido em um canto. Tomo de um gole só. Sempre tomo tudo muito rápido. Hummm, a sensação daquela cerveja me conforta. Tudo o que me causa alguma sensação, ou torpor, eu tomo como a cerveja: num gole intenso e rápido.
Penso, que ainda posso ser Cindelera, as pessoas não vão perceber a Borralheira, talvez nem olhem para o meu pé...
Corro para brincar, mas um minuto depois, sinto vontade de procurar outro copo mágico que me devolva a Cinderela.

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