Em quantos pedaços somos capazes de quebrar
A cada quebra resta um pedaço menor
Até que um dia só sobre poeira
Contos de Uma Borderline
Em quantos pedaços somos capazes de quebrar
A cada quebra resta um pedaço menor
Até que um dia só sobre poeira
Cada passo que ela dava em direção a fonte luminosa, a aproximava do abismo.
Seus olhos ofuscados pela luz, ela seguia rumo à aquela fonte de calor que fazia sua alma querer se fundir
Era uma atração inevitável e um perigo eminente
A queda não encontrava o chão, ela só caiu continuamente olhando para o vazio de não existir
Tudo sumiu, as lembranças, a fonte, o magnetismo…
E uma sombra consumia tudo, ela esperava pelo impacto que interromperia tudo…
Ela se entregou à queda sem fim, não ansiava pelo chão, nem pelos astros. E naquele vórtice quando ela soltou tudo , a fonte luminosa brilhou no seu coração…
Ela se lembrou que outra fonte havia sido gerada dela, que buscava por ela para potencializar suas emanações de brilho no universo.
E flutuou serenamente até seu filho, aquecendo suas almas. A fonte, sempre esteve dentro dela.
Uma dança escondida, uma vida contida.
A Lua cheia estava a caminho e tudo foi transbordando
Quando o conhecido se desconhece e se reconhece em uma outra forma.
Quantos segredos uma alma pode guardar de si mesma?
Quero subir as rochas no canto da praia e me deitar esperando o sol, a lua, ouvindo a água bater com força, quebrando minhas certezas e a mediocridade. Deixando o a água me surpreender ao me banhar me despertando do meu transe.
Quero chorar a ausência, quero encontrar a presença.
Eu guardei aquela pedra na continuidade da minha vida, carreguei-a com cuidado, ao lado dos bens mais preciosos. E ela brilhou nos dias escuros. E ela iluminou minha essência já apagada… Não posso solta-lá, não posso revela-la. Ela segue guardada no meu peito.
O cansaço pesa no corpo, as lágrimas já não escorrem, a respiração densa anseia por silêncio. Porque este mundo é tão conflituoso?
Porque ao caminharmos vamos lançando e recebendo flechas.
Não quero mais ver pessoas sendo feridas…
As escolhas que fiz me trouxeram para esse reino, nele mora um anjo, o qual devo proteger a qualquer custo, inclusive de mim.
Posso ser o cavaleiro e a bruxa, a princesa e o dragão.
Quando estava prestes a aposentar minhas espadas, mais uma batalha irrompeu os muros do meu castelo. São inúmeros espectros de diversos tempos e todos são eu.
Como toda batalha terão feridos, ou posso entregar minha cabeça e salvar os corações que não devem ser magoados…
Há uma conspiração se formando dentro de mim. Eu ouço as espadas sendo afiadas.
Borboletas azuis voam por toda serra, deve ser o auge delas…
Elas são a expansão após um processo de contração, saem batendo suas asas cheias de entusiasmo, expressivas, descobrindo sua nova forma que é capaz de andar pelos ares. Enxergam o chão de uma nova perspectiva.
Pobre dos seres que não tem capacidade de se transformar, de olhar sobre outra perspectiva, de se entusiasmar.
Pobre dos seres que não tem a capacidade de se deslumbrar com as borboletas, que não conseguem se expressar.
Pobre dos seres que não enxergam suas próprias asas e rastejam pela vida.
Um gosto amargo sobe e se deita na boca
O estômago arde a ebulição não digerida
Certas coisas nem elixir, nem chá…
Só o tempo, um olhar profundo e um esforço fenomenal pra aliviar.
Penso em como temos habilidade para soterrar algumas coisas que ficam latentes mas cotidianamente imperceptíveis…
Hoje, eu não me reconheço como a pessoa que via ontem.
Sou uma estranha… o que mais não sei sobre mim ?
Nunca gostei de rótulos, os sábios dizem que primeiro precisamos ser nada para ser parte de tudo… que nessa experiência, não somos, estamos. Que o que somos é muito além do que podemos vislumbrar.
Pois não sou nada e a partir disso, posso ser tudo.
Um dia eu vi o cenário desconstruído. Quando olhei, não estava pronto. Como se tivesse sido pego desprevenido. E eu soube, que tudo existe além do cenário. Que somos além das histórias que contamos, que vivemos muitas vidas experienciando…
Que o tempo pode ser suspenso quando suspendemos as distrações exteriores e mergulhamos em nosso centro…
E encontramos algo além do eu…
Ela andava nua pela floresta, seus pés amassavam as folhas secas alaranjadas ao chão, a neblina esfumaçava a profundidade, se sentia parte de cima a baixo. O cheiro do solo, uma mistura acre em decomposição inspirava a vida. A mariposa branca deu seu primeiro voo. A água descia gelada pela rocha, e a queda era inevitável e poderosa. Respingos molhavam sua pele, ela subia, o sol subia e ela se deitou na parte plana da rocha deixando a água inundar seu corpo esperando o sol aquecer sua alma.