terça-feira, 12 de maio de 2026

Sob as Asas

O cansaço pesa no corpo, as lágrimas já não escorrem, a respiração densa anseia por silêncio. Porque este mundo é tão conflituoso? 

Porque ao caminharmos vamos lançando e recebendo flechas. 

Não quero mais ver pessoas sendo feridas… 

As escolhas que fiz me trouxeram para esse reino, nele mora um anjo, o qual devo proteger a qualquer custo, inclusive de mim. 

Posso ser o cavaleiro e a bruxa, a princesa e o dragão. 

Quando estava prestes a aposentar minhas espadas, mais uma batalha irrompeu os muros do meu castelo. São inúmeros espectros de diversos tempos e todos são eu. 

Como toda batalha terão feridos, ou posso entregar minha cabeça e salvar os corações que não devem ser magoados…

Há uma conspiração se formando dentro de mim. Eu ouço as espadas sendo afiadas. 


quinta-feira, 7 de maio de 2026

Morrendo em seu casulo

Borboletas azuis voam por toda serra, deve ser o auge delas…

Elas são a expansão após um processo de contração, saem batendo suas asas cheias de entusiasmo, expressivas, descobrindo sua nova forma que é capaz de andar pelos ares. Enxergam o chão de uma nova perspectiva.

Pobre dos seres que não tem capacidade de se transformar, de olhar sobre outra perspectiva, de se entusiasmar.

Pobre dos seres que não tem a capacidade de se deslumbrar com as borboletas, que não conseguem se expressar. 

Pobre dos seres que não enxergam suas próprias asas e rastejam pela vida. 

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Como se interrompe a atividade de um vulcão ?

Um gosto amargo sobe e se deita na boca 

O estômago arde a ebulição não digerida

Certas coisas nem elixir, nem chá…

Só o tempo, um olhar profundo e um esforço fenomenal pra aliviar.

Penso em como temos habilidade para soterrar algumas coisas que ficam latentes mas cotidianamente imperceptíveis… 

Hoje, eu não me reconheço como a pessoa que via ontem.

Sou uma estranha… o que mais não sei sobre mim ?

Nunca gostei de rótulos, os sábios dizem que primeiro precisamos ser nada para ser parte de tudo… que nessa experiência, não somos, estamos. Que o que somos é muito além do que podemos vislumbrar. 

Pois não sou nada e a partir disso, posso ser tudo. 

Um dia eu vi o cenário desconstruído. Quando olhei, não estava pronto. Como se tivesse sido pego desprevenido. E eu soube, que tudo existe além do cenário. Que somos além das histórias que contamos, que vivemos muitas vidas experienciando… 

Que o tempo pode ser suspenso quando suspendemos as distrações exteriores e mergulhamos em nosso centro…

E encontramos algo além do eu… 

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Suspiro na Mata

Ela andava nua pela floresta, seus pés amassavam as folhas secas alaranjadas ao chão, a neblina esfumaçava a profundidade, se sentia parte de cima a baixo. O cheiro do solo, uma mistura acre em decomposição inspirava a vida. A mariposa branca deu seu primeiro voo. A água descia gelada pela rocha, e a queda era inevitável e poderosa. Respingos molhavam sua pele, ela subia, o sol subia e ela se deitou na parte plana da rocha deixando a água inundar seu corpo esperando o sol aquecer sua alma. 


domingo, 5 de abril de 2026

Quando os caminhos se revelam

Eu caí e não tinha nenhuma mão para me ajudar 

Eu estava imersa num buraco escuro úmido 

Não lembrava como havia chegado ali

Eu andava com esperança, com o sol no rosto, tinha a sensação que tinha alguém me acompanhando.

Dentro do buraco eu buscava aquela mão 

Tudo doía, dentro e fora de mim. Sentia um amargo no peito e na boca, como se tivessem arrancado algo preciso de mim.  

A mão que eu procurava alcançar, tinha me lançado ali, me punindo pela dor que consumia suas entranhas, me atacando para se livrar da culpa que impregnava sua alma. 

Conheço essa culpa inata, que está aí, sujeitando a todos e avassalando os que fogem. É uma culpa ancestral que nos foi imputada.

Sair ao sol faz doer os olhos que dormem

A esperança arranca a serenidade dos que se levam a sério demais. As garras são afiadas e desferem golpes atordoantes nos que estão iluminando a própria escuridão.

Não haverá mão, que não seja a minha, a minha que é guiada pelo coração que pulsa em mim, habitado por uma luz e um amor que transcende tudo. 

Eu não caibo mais na escuridão 

quarta-feira, 11 de março de 2026

Envenenados

 Hoje meu filho me bateu e ganhou um doce do meu marido.

De manhã, falei para meu filho após o café, vamos tomar o mel com própolis e comer um favo. Coisas que acredito serem boas para imunidade.

Semana passada, para contextualizar o gatilho, ele tomou o própolis e o favo, e enquanto eu fazia um bolo de abóbora, ele queria mais doce. Eu disse que não tinha, que ele podia comer mais um favo que eu cortei em 2. E deixei ele lamber a colher do bolo. Mesmo assim ele ficou obcecado pelo açúcar e queria mais, que queria chiclete, coisa que eu não tenho em casa. E realmente n tinha doce porcaria em casa, ele começou um xilique, era hora de se vestir para ir para escola, ele almoça lá e nas terças tem que chegar 11:15, pois o almoço é 11:30 e ele tem capoeira às 11:50. Era 10: 40 e ele se entupindo de doces. Fugiu de mim e foi pra cozinha enquanto eu chamava pra escovar o dente e se vestir. E minha cabeça a mil, tentando controlar o tempo, as vontades do meu filho e ouvi um silêncio. Fui na cozinha e vi ele com um pedaço de doce de leite em barra na mão. Fiquei muito frustrada. Meu marido havia dado doce de leite pra ele. Mesmo eu dizendo que não tinha, que já tinha comido doce demais, que já ia almoçar na escola. Que doce porcaria só aos finais de semana. 

Ele já teve 6 cáries, com 4 anos e meio, 6 cáries. Pq tiro dia de manhã, o pai achava ok dar um doce. Fora o mal que faz para todo corpo e mente, ele fica muito compulsivo. Eu tive problemas com adição. Meu marido tbm… na minha cabeça preciso proteger meu filho disso.

Temos um relacionamento bastante desafiador. Não quero rotular, mas ele deixa toxinas no ar. E uma das questões pós maternidade, é a permissividade chegando ao desrespeito, a desautorização. Não importa os meus motivos, nem os dele, existem mil justificativas, nossas crianças interior traumatizadas, não são desculpas para prejudicar outra. 

Na hora fiquei louca, eu explodo com facilidade, esqueci todo prática de neutralidade de não agir pelo ego e me senti muito ferida, pq não fui respeitada, pq qdo comecei a falar meu marido ao invés de admitir o erro, ficou dizendo que eu estava errada em discutir na frente do menino. E isso me fez tão mal, me senti tão mal a ponto de ir os 25 minutos do caminho despejando no meu filho com gritos e coações que eles estavam errados. Me senti diminuída a nada, sem voz, então eu tentei crescer gritando para ser ouvida por uma criança perdida no meio de pais que não se aliam, que não se apoiam para criar um ser humano melhor. 

Eu tento todos os dias ser melhor, fazer práticas de equilíbrio, de respeito, falho muito, mas me esforço e vejo que muita coisa eu consegui melhorar. E continuo me dedicando para ser uma pessoa cada dia melhor. Uma mãe melhor, criando um ser humano que respeite as mulheres, e todos os outros seres. Um homem que tenha empatia, que saiba respeitar a grandeza feminina, que não precise diminuir mulheres para se sentir grande. 

E projetar no meu filho meu sentimento de na suficiência, de inadequação me destrói. 

Voltando a hoje, ele chegou na cozinha e começou a procurar algo na cestinha do pão, pq qdo eu falei do favo, ele lembrou da semana passada, do doce, e era esse doce que eu tinha jogado fora no mesmo dia, que ele estava procurando. Para na falar que eu tinha jogado fora e causar mais atritos, eu disse que tinha comido, e ele disse que não podia, ficou indignado e deu um tapão na minha cara, pois estava em cima da cadeira procurando o doce na cesta de pão. Eu devolvi um cascudo na cabeça dele, não bati no rosto. Meu marido que não sabe nunca lidar com situações de esteres sem entrar na baixa frequência, começou a blasfemar que era o demônio, que isso, aquilo, que eu n devia ter devolvido. Que ele n devia ter batido. Sai de perto e subi pois tínhamos dentista e não tinha tempo a perder. Eu tentei me convencer que n era nada. Que estava tudo bem. E enquanto estava arrumando as coisas dele, ouvi meu marido dizendo que ele não podia bater em mim e tal. E ele falou pra ele vir pedir desculpa. Ele subiu e pediu desculpa eu abracei ele e perguntei se ele tinha tomado o própolis, e a fava e ele disse que o pai não deixou ele comer a fava pq ele comeu um bombom. Os bombons que comprei no final de semana na praia, acabaram na segunda qdo chegamos. Eu fiquei sem ação, realmente fiquei pasma. Ao invés de dar a fava ele deu o bombom que tinha me dado e estava guardado para o menino que tinha acabado de me bater e estava saindo para o dentista cuidar das cáries. 

Eu quero paz, estou cansada de brigar, meu filho está roendo todas as unhas da mão, e sei que é por causa de nossas brigas, nossas ansiedades, nossos medos. Nossa incapacidade de viver no momento presente, de estar pleno no aqui e agora.

Sai sem brigar, mas sai quebrada, com um choro entalado que eu tentava silenciar. Não quero ser meu ego, quero ser nada, quero o vazio absoluto. 

Mas mandei uma mensagem no trânsito. Amor, vc fez a mesma coisa da semana passada. 

Percebi meu ego ferido tentando sair, dizendo que eu era incapaz de criar um filho direito, que estava falhando em proteger meu filho de uma criação misógina, sem limites. Um menino mimado que bate na cara da mãe pq não tem espaço para lidar com as frustrações. 

Um menino que ganha um bombom como recompensa por bater na própria mãe. 

Meu marido respondeu em casa falamos, amo vocês.

Eu escrevi, ele deu na minha cara e ganhou um bombom. 

Meu filho que n tinha ouvido, pq eu escrevi justamente para ele não ouvir. Disse mamãe não parece um bombom, devia se referir à nuvem, vista da janela do carro, eu disse nem me fale em bombom, que estou chateada q vc me bateu. Ele disse: bati em vc e ganhei um bombom do meu pai. 

Foi isso que ele aprendeu hoje. 

Estou tentando ver o que posso aprender com isso. 

Pq escrevi para meu marido: quero is embora, não aguento mais ser desrespeitada. Seu filho disse: bati na mamãe e ganhei um bombom. 

Parabéns. 

Ele respondeu sinto muito.

Deixei ele na natação após o dentista e voltei chorando, pedindo para minha dívida presença se manifestar, ao invés do meu ego personalidade. Cheguei em casa e subi ele já foi falando vc já vai se enfiar no quarto sem conversar ? Eu respondi que estava apertada, precisava ir ao banheiro. E realmente estava. Desci para conversar, mesmo não estando com vontade pq não adianta, a semana passada conversei, expliquei, faz tanto tempo que converso sobre tantas coisas… desde a gestação converso sobre como temos que deixar nossas questões abaixo da criança. Sobre como podemos nos curar, nos libertar dos padrões, das transferências, do nosso ego… desde que ele é pequeno eu digo que temos que nos alinhar, que não podemos brigar na frente dele.

São tantas questões, que não deviam acontecer na frente de uma criança. Discussões de trabalho. Discussões de dinheiro. Acusações de falta, de má conduta… 

Sempre que acontecia algo à criança na minha supervisão, como ele cair e bater alguma parte do corpo aprendendo a andar, era um abuso emocional pra cima de mim, com gritos, vociferações de que eu não tinha capacidade de cuidar dele, como que deixei acontecer… fazendo eu me sentir uma mãe horrível e incapaz. Mas quando acontecia com ele, eu não agia assim. Pq sei que isso acontece que não teremos controle em tudo. E que faz parte. Mas alguém muito quebrado por dentro, tenta controlar fora. Alguém que se leva tão a sério o tempo todo e tenta controlar tudo. Não admite que possam haver falhas e culpa e oprime o outro. Até mesmo qdo a criança caiu sem eu estar presente foi culpa minha. Pq eu n estava no quintal para ajudar. 

Venho trabalhando em mim, com terapias, ferramentas de auto conhecimento e me libertando de muitas culpas que me foram imputadas por transferência e eu aceitei, carreguei as pedras alheias que me deram mais as que achei no caminho. Hoje eu vejo que dou o melhor que posso sem me acomodar. Eu vou abrindo espaço para ser melhor a cada dia. Para me curar continuamente.  

Mas como posso educar melhor meu filho se parte fundamental da trindade não está na mesma busca de auto cura, de ressignificar? 

Eu não posso ser responsável pela educação que o pai dá, eu entendo as faltas, as crenças limitantes, os padrões, as transferências, mas não posso aceitar a acomodação. A falta de iniciativa em se curar, se libertar para viver melhor com a esposa, para educar uma criança no respeitosa. Que entenda limites, que consiga transpor as frustrações de forma saudável. 

Eu não queria conversar, mas fui. Tentei ir desarmada, ele não tirou os olhos do computador. Parou de falar qdo eu perguntei o q ele tinha pensado ao dar o bombom, queria mesmo entender como ele achou que isso seria construtivo. Ele não me respondeu. As únicas coisas que disse foi que eu revidar foi errado, que se queremos ensinar com amor, violência não é o caminho. E tentou dizer que eu estava errada em dirigir e escrever. Coisa que fiz nos faróis. 

Violência verbal pode, violência frequencial pode, violência energética pode. Violência contra mulher está autorizada pelo pai com recompensa… 

Se eu não posso mostrar para meu filho como um marido deve respeitar a mulher, melhor então que ele não veja. Que ele aprenda que as pessoas tem limites, que uma mulher não vai se submeter a desrespeitos. Que ele aprenda quando estiver comigo, o que é respeito, limite, que ele aprenda que se frustrar é normal e que podemos lidar com isso. 

Se eu estou fazendo algo errado, é continuar me submetendo e submetendo meu filho ao desequilíbrio que causamos. 

Eu preciso ser forte para ser uma mãe melhor, mesmo que seja sozinha. 

domingo, 28 de setembro de 2025

Desestrutura

Estou magoada com a vida. 

Estou com saudades de me sentir segura, protegida, cuidada…

As vezes a falta grita, a falta da presença física, a falta da segurança emocional e estrutural, das memórias que só eles tinham, das histórias…

É como se estivesse vagando sem apoio…

A estrutura que tento construir, está pensa. Não tem centro, não tem duas bases sólidas. 

Preciso de firmação ou me soltar e vagar ao vento ?

Sou árvore ou nuvem ? 

Talvez meu sofrimento seja por isso, tentar me encaixar como árvore sendo nuvem…

E se for para ser o caos, a matéria de que se constrói e desconstrói ? E se eu for a desorganização antes da organização ? E se eu for somente partícula? E se eu somente ser ? Sem cobrança, sem me enquadrar em rótulos, expectativas… 

Somente ser numa dança, num movimento de expandir e contrair… só inspirar e expirar…