domingo, 14 de junho de 2026

Desintegrando

Em quantos pedaços somos capazes de quebrar 

A cada quebra resta um pedaço menor 

Até que um dia só sobre poeira 


sábado, 23 de maio de 2026

Geradores

Cada passo que ela dava em direção a fonte luminosa, a aproximava do abismo.

Seus olhos ofuscados pela luz, ela seguia rumo à aquela fonte de calor que fazia sua alma querer se fundir 

Era uma atração inevitável e um perigo eminente 

A queda não encontrava o chão, ela só caiu continuamente olhando para o vazio de não existir 

Tudo sumiu, as lembranças, a fonte, o magnetismo…

E uma sombra consumia tudo, ela esperava pelo impacto que interromperia tudo…

Ela se entregou à queda sem fim, não ansiava pelo chão, nem pelos astros. E naquele vórtice quando ela soltou tudo , a fonte luminosa brilhou no seu coração…

Ela se lembrou que outra fonte havia sido gerada dela, que buscava por ela para potencializar suas emanações de brilho no universo.

E flutuou serenamente até seu filho, aquecendo suas almas. A fonte, sempre esteve dentro dela.


quarta-feira, 13 de maio de 2026

Insônia

Uma dança escondida, uma vida contida.

A Lua cheia estava a caminho e tudo foi transbordando

Quando o conhecido se desconhece e se reconhece em uma outra forma.

Quantos segredos uma alma pode guardar de si mesma?

Quero subir as rochas no canto da praia e me deitar esperando o sol, a lua, ouvindo a água bater com força, quebrando minhas certezas e a mediocridade. Deixando o a água me surpreender ao me banhar me despertando do meu transe. 

Quero chorar a ausência, quero encontrar a presença. 

Eu guardei aquela pedra na continuidade da minha vida, carreguei-a com cuidado, ao lado dos bens mais preciosos. E ela brilhou nos dias escuros. E ela iluminou minha essência já apagada… Não posso solta-lá, não posso revela-la. Ela segue guardada no meu peito.


terça-feira, 12 de maio de 2026

Sob as Asas

O cansaço pesa no corpo, as lágrimas já não escorrem, a respiração densa anseia por silêncio. Porque este mundo é tão conflituoso? 

Porque ao caminharmos vamos lançando e recebendo flechas. 

Não quero mais ver pessoas sendo feridas… 

As escolhas que fiz me trouxeram para esse reino, nele mora um anjo, o qual devo proteger a qualquer custo, inclusive de mim. 

Posso ser o cavaleiro e a bruxa, a princesa e o dragão. 

Quando estava prestes a aposentar minhas espadas, mais uma batalha irrompeu os muros do meu castelo. São inúmeros espectros de diversos tempos e todos são eu. 

Como toda batalha terão feridos, ou posso entregar minha cabeça e salvar os corações que não devem ser magoados…

Há uma conspiração se formando dentro de mim. Eu ouço as espadas sendo afiadas. 


quinta-feira, 7 de maio de 2026

Morrendo em seu casulo

Borboletas azuis voam por toda serra, deve ser o auge delas…

Elas são a expansão após um processo de contração, saem batendo suas asas cheias de entusiasmo, expressivas, descobrindo sua nova forma que é capaz de andar pelos ares. Enxergam o chão de uma nova perspectiva.

Pobre dos seres que não tem capacidade de se transformar, de olhar sobre outra perspectiva, de se entusiasmar.

Pobre dos seres que não tem a capacidade de se deslumbrar com as borboletas, que não conseguem se expressar. 

Pobre dos seres que não enxergam suas próprias asas e rastejam pela vida. 

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Como se interrompe a atividade de um vulcão ?

Um gosto amargo sobe e se deita na boca 

O estômago arde a ebulição não digerida

Certas coisas nem elixir, nem chá…

Só o tempo, um olhar profundo e um esforço fenomenal pra aliviar.

Penso em como temos habilidade para soterrar algumas coisas que ficam latentes mas cotidianamente imperceptíveis… 

Hoje, eu não me reconheço como a pessoa que via ontem.

Sou uma estranha… o que mais não sei sobre mim ?

Nunca gostei de rótulos, os sábios dizem que primeiro precisamos ser nada para ser parte de tudo… que nessa experiência, não somos, estamos. Que o que somos é muito além do que podemos vislumbrar. 

Pois não sou nada e a partir disso, posso ser tudo. 

Um dia eu vi o cenário desconstruído. Quando olhei, não estava pronto. Como se tivesse sido pego desprevenido. E eu soube, que tudo existe além do cenário. Que somos além das histórias que contamos, que vivemos muitas vidas experienciando… 

Que o tempo pode ser suspenso quando suspendemos as distrações exteriores e mergulhamos em nosso centro…

E encontramos algo além do eu… 

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Suspiro na Mata

Ela andava nua pela floresta, seus pés amassavam as folhas secas alaranjadas ao chão, a neblina esfumaçava a profundidade, se sentia parte de cima a baixo. O cheiro do solo, uma mistura acre em decomposição inspirava a vida. A mariposa branca deu seu primeiro voo. A água descia gelada pela rocha, e a queda era inevitável e poderosa. Respingos molhavam sua pele, ela subia, o sol subia e ela se deitou na parte plana da rocha deixando a água inundar seu corpo esperando o sol aquecer sua alma.