sábado, 11 de janeiro de 2025

As folhas de louro

Na virada de 2023/24 eu enchi a casa de louro. O último réveillon eu estava um pouco entorpecida pelos ares soturnos do luto paterno. Meu progenitor, o que sempre esteve de algum modo ligado a minha idéia de prosperidade. A figura que trazia o dinheiro para dentro de casa até o início da minha juventude, mesmo que minha mãe tbm trabalhasse em casa e ajudasse, aliás ela era muito boa em fazer render o dinheiro. Depois eles se tornaram sócios num negócio próprio e prosperamos  bastante. Meu pai tbm era um ótimo cozinheiro de iguarias de fim de semana ou jantares especiais. Ele adorava cozinhar. 

Ao entrar hoje na cozinha da minha casa trazendo legumes e frutas,  me deparei com um ramo de louro em cima da mesa, que evocou a sombra da ausência pela presente voz do meu pai me pedindo para levar louro na próxima visita semanal à sua casa. E essa memória foi tão poderosa que comecei a chorar. Aquela simples rama foi capaz de trazer a tona a perda que estou tentando lidar. 

Impressionante como o luto pode te deixar transbordar com uma imagem. 

Não era só uma folha de louro, era o provedor, o que nutria, o confidente, que estava repousado ainda fresco como ele em minha lembrança, sobre a mesa, recém colhido, com o inevitável destino de secar e transformar a intensidade em algo mais distante da sua essência, que vai temperar alimentos e sonhos de abundância…

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