Intervalos de mãe
Lactante
Amamentante
Intervalos de mulher
Que tem a cama dividida
O amor que separa o que já não tinha união
Intervalos de profissional
Que tem a vida fragmentada entre esposa, nora, patroa, mãe, empregada, mulher, irmã, filha, tia…
Não sei onde me encontro, como encontro a pessoa que um dia esteve aqui, ou quiçá vai estar…
Outro dia sonhei com minha mãe, foi um dia q não gostei de mim, que me cobrei, que achei que poderia ter agido diferente…
Ela me olhava com feições pesadas e envelhecidas…
Carregava o peso da culpa
Uma culpa ancestral, familiar, feminina…
Uma culpa de ser insuficiente
Uma culpa que carrego comigo:
Quando se nasce mulher, já se é menos.
Ou se abraça a deficiência, ou se multiplica em polvo para provar que pode com tudo…
Que não esmorece mesmo tendo o coração macerado vertendo sangue…
Não se mostra suas fragilidades porque isso expõe toda fraqueza da estrutura que se sustenta em você
Se você ruir…
Uma comunidade se arruina a partir de você…
Seu bater de asas é uma catástrofe eminente
Se cale, se feche, se encapsule!
Chore sozinha entre uma sucção e outra…
Sua sina é se calar e diminuir para projetar o que esperam de você…
Você encolhe para fazer grande quem te olha, te aponta e julga…
Mas seu ínfimo tamanho nunca será suficiente…
Não tenho razão, nem paz…
Sou alicerce mas quero ser nuvem
Que passa
Que voa
Que dissipa
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