A dor pulsa e faz a atenção focar no machucado sinistro!
Não consigo mais parar de pensar no dia que fiz essa ferida, não consigo mais parar de sentir raiva de mim.
Só quero me distanciar disso tudo!
Quero curar a ferida quieta no meu canto, não quero diagnósticos, nem teses de culpas!
Quem tem culpa numa insanidade dessas?
Escarafunchar a ferida só faz aumenta-lá, ela esta crescendo e tomando conta de mim. Estou me tornando minha ferida.
Estou com medo que encostem em mim.
Não culpo ninguém além de mim. Se a culpa for se estender, todos devem carregar suas parcelas!
Todos contribuíram de alguma forma, não existem monstros nessa situação!Existe total inconsciência, ausência de razão...
Filmes, piadas, giletes, cortes, sangue, exaltação a loucura, álcool, muito álcool, rejeição!
Quem é digno de julgar o caráter de alguém? Quem pode condenar alguém que mal conhece?
Eu conheço as pessoas que estavam ali! Não duvido e não julgo o caráter de nenhuma delas! E se há alguém que passou dos limites, com certeza esse alguém sou eu! Eu que sempre transitei pela borda, eu que sempre mergulhei nas profundezas do inconsciente!
Naquele quarto não havia consciência, posso não lembrar de nada, mas acredito piamente no caráter de uma pessoa que sei a formação, que cresceu comigo e nunca vi, nem percebi o menor indício de canalhice!
Eu sei do fundo da minha da alma, o tamanho da ferida e da culpa que ele agora carrega!
Eu sei o tamanho da ferida que todos carregam!
Indigesto demais para ser absorvido pelo organismo vivo.
Vomitar a letra alivia a dor dessa congestão...
Quem não pode escrever, vomita sentimentos, vomita palavras que ferem, vomita culpas e escolhe um algoz.
Brincamos com fogo, cutucamos a loucura, eu e você, incitamos chamas que não puderam ser apagadas, chamas que ainda queimam, que ainda ardem em mim, em você, e em todos que ficaram perto da queimada.
Quando você me disse que não foi você que havia feito merda, calei e engoli minha culpa, mas pensando claramente me lembro que você compactuou: exaltou a loucura e ajudou a alimenta-la. Ela cresceu, e num momento de descuido, escapou descontrolada, tomando conta de tudo!
Não dá agora para eleger apenas um culpado e taxa-lo de aberração! Esse monstro é meu sangue, esse monstro não é um monstro, é apenas um ser humano vítima de uma irmã em chamas, de uma inconsciência alcoólica e passível de erros e descontroles.
Não sei a qual é a cura para isso!
Não sei se existe tratamento eficaz para tratar essa ferida. Sei que estamos todos tentando.
Conheço o tamanho da sua sensibilidade e da sua fragilidade. Entendo que não consiga estancar o sangue! Tento respeitar seu tempo. Não sei se posso, e como posso ajuda-lo, só sei que estamos juntos, que continuamos tentando...
Absorvo sua dor, sua ferida sangra a minha, ambos estamos doentes, acho que estamos morrendo um pouco mais do que o normal a cada dia.
Estou me tornando minha ferida, me consumindo, perdendo a forma humana e virando a forma de dor! Estou agora, uma pessoa pior e mais triste...
Feridas abertas, sensibilidade extrema, o cuidado deve ser redobrado!
O que vamos ser, convalescentes ou condenados?
Eu gostaria muito de me curar disso tudo, e voltar a ter uma relação saudável, leve e feliz...
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