quarta-feira, 7 de abril de 2010

O Ato Inesquecível.

Brinco no sítio perto da casa do caseiro, ao meu redor, uma galinha cisca procurando comida para seus pintinhos. São tão bonitinhos, amarelos com seus piados cheios de vida!
Corro de um lado paro outro. Minha avó me adverte: "Não brinca perto da galinha, se não acaba pisando em um pintinho".
Penso: "Que absurdo, até parece".
Ignoro a advertência e continuo me divertindo...
Sinto uma coisa mole e quentinha sob meu pé descalso. Eu tiro o pé e vejo um pintinho, antes tão cheio de vida, agora agonizando,,,, esta morto!
Não posso suportar o olhar da galinha. Eu sou uma assassina!!!
Tenho um nó na garganta, um peso nos ombros. Minha Avó estava certa! Ela sabia da crueldade dentro de mim. Eu não queria...
Quero que ele viva novamente! Quero confortar a galinha, que continua me olhando perplexa: Como essa criança matou minha cria? Assassina!
Porque Deus não faz o tempo voltar? Porque ele permite que uma criança carregue esse fardo?
Quero que o tempo pare!
Preciso entrar em um buraco que apague o que estou sentindo. Como me livrar dessa culpa? Quero cortar meu pé, amputar minha arma!
Que gosto amargo sinto na boca, ele brota do fundo da minha existência.
Sinto medo de mim. Sinto raiva de mim.
Eu tento murmurar: foi um acidente... mas a advertência da minha avó ecoa na minha cabeça... Eu só quero conseguir dormir e entrar em buraco do esquecimento.

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