A vida acontece...
Tantas vezes eu li essa frase e ela teve alguns sentidos:
consolação, frustração, resignação...
Estou envelhecendo, os sinais no corpo gritam os sinais que a alma dava há algum tempo e eu teimava em ignorar.
A alma se inquietava com comportamentos que já não cabiam mais, a loucura da juventude, de tentar colocar em algum lugar todos os demônios que me comiam por dentro, por para fora de algum jeito. Escancarar meus demônios, humaniza-los quem sabe... mas até os demônios se "assussegam", ou se saciam, ou só dormem, quem sabe.
Eu não sei, tentei conhece-los profundamente, mas são criaturas reservadas. Temos convivido com mais harmonia, as vezes algum desperta com fome, mas minha alma já expressa mais os anjos que me habitam. E meu corpo, forte para suportar uma época que palavras não bastavam para expressar essa guerra de céu e inferno que aconteciam dentro e fora de mim, hoje se basta com pequeninos gestos. Uma lua no céu, uma flor no caminho, inspirando e expirando o divino, como se dissesse "Estou Aqui", Eu sou esse olhar, esse momento que sentiu a plenitude te tocar.
A vida acontece no instante. Meus instantes são menos de fazer planos e mais de aceitar, de contemplar, de olhar para essa batalha não como opostos e mais como uma sinfonia onde eu escolho qual instrumento alimentar com meu comando.
As marcas na minha mão digitando me fazem pensar em como a vida ainda acontece. Uma esperança mais suave, sem a expectativa da mão sem rugas, a mão dos dedos velozes que ansiavam por experiencias, pelos contos de fada, pelos ideais que recebíamos sem questionar dos nossos modelos.
Eu gostava de rupturas, nunca lidei bem com expectativas. Achava que a vida aconteceria de forma suave, mágica, sem esforço, porque lidar com minha própria guerra interna, já era um esforço imenso. Respirar o peso da ilusão do mundo já era descabido. Aliás, sempre carreguei mais que poderia absorver. Tanto sentimento não cabe em um só pessoa e ela expele de alguma forma. Um corte na pele vertendo o sangue da erraticidade humana.
A esperança vem branda como um leite com mel morno no por do sol. Reconforta. Sem avassalar.
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