sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

A Casa

 Um gosto amargo penetra em minha boca enquanto adentro a casa. Vou entrando e ele vai descendo, entranhando em meu peito. Sinto o ar pesado, quase um sufocamento. Um grito que não consegue sair, rasgando por dentro… enquanto o silêncio fora, revela a não existência. 

A casa da mamãe, a casa do papai, agora, só a casa.

Busco uma presença, um sinal de vida, mas as plantas murchas, os armários vazios e o óculos repousado na mesinha ao lado da poltrona me puxam para onde a sua ausência é um fato irreversível. 

Sem sua voz, sem seu cheiro… só a casa se acomodando com o vazio  de agora. 

Mas ecoam em mim, tantas vozes, risadas, choros, gritos… fervilha em min como fazia na casa… as pessoas entrando e saindo parecem vapores se dissolvendo.

Resta a memória… Ainda resta a memória que me faz refletir sobre o propósito da existência, questionar dogmas, conceitos e valores… 

Quero expandir em energia fora da matéria e flutuar para fora desse núcleo, percorrendo os espaços entre espaços até encontrar a energia primordial que me faz sentir em casa. 


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