Um gosto amargo penetra em minha boca enquanto adentro a casa. Vou entrando e ele vai descendo, entranhando em meu peito. Sinto o ar pesado, quase um sufocamento. Um grito que não consegue sair, rasgando por dentro… enquanto o silêncio fora, revela a não existência.
A casa da mamãe, a casa do papai, agora, só a casa.
Busco uma presença, um sinal de vida, mas as plantas murchas, os armários vazios e o óculos repousado na mesinha ao lado da poltrona me puxam para onde a sua ausência é um fato irreversível.
Sem sua voz, sem seu cheiro… só a casa se acomodando com o vazio de agora.
Mas ecoam em mim, tantas vozes, risadas, choros, gritos… fervilha em min como fazia na casa… as pessoas entrando e saindo parecem vapores se dissolvendo.
Resta a memória… Ainda resta a memória que me faz refletir sobre o propósito da existência, questionar dogmas, conceitos e valores…
Quero expandir em energia fora da matéria e flutuar para fora desse núcleo, percorrendo os espaços entre espaços até encontrar a energia primordial que me faz sentir em casa.
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