quinta-feira, 7 de setembro de 2023

Sem domínio…

Ela esgueirava-se no silêncio, procurando um pedaço de solitude, entre as paredes de sua casa ressoava os gritos, risadas, resmungos…

Passou pela criança, a caduca, a desajeitada, e o que grunia, mas que neste dia estava solicito, e se acomodou no fundo da cozinha… 

A caduca insistia em invadir repetidamente o pequeno pedaço que ela havia se confinado para poder dialogar com suas emoções intensas…

Estava ela ali entre panelas, fogo, medos, culpas, tentando se acolher e estabelecer a consciência dos seus sentimentos, mas tudo verteu em uma explosão, um grito de defesa do seu micro território, do seu corpo, do seu silêncio…

Ela só queria estar onde queria estar, sem expectativas, sem críticas, sem julgamentos… 

Entristeceu-se por desequilibrar-se de seu delicado trapézio, colocado em bases instáveis, pois tudo ali se agitava num repente de almas que estão descobrindo a vida e a morte, a lucidez e a loucura, o tédio e a ansiedade das multitarefas que muitas vezes verte em proscatinação de esgotamento mental ansioso…

Ela chora, transbordam arrependimentos do que podia ter feito para estar em outra realidade, sabe que isso não resolve, sua natureza escapista sonha em estar num avião, navio, outro continente, planeta ou galáxia…

Nesse momento ela é despertada do transe por uma frase resmungada meio chorando, minha mamãe. Aquela simples frase, a desperta para a plenitude do momento presente. Ela se lembra que mesmo não estando na casa que planejou, no terreno que comprou, ela tem muita felicidade na casa onde mora… precisa se recompor em harmonia para poder precipitar a realidade que faz melhor ao seu espírito tem a essência dos descobridores, embora adore um cais familiar…

Em meio à turbulência dos mares, é preciso se manter rumo ao norte.

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