Tive muito medo de ter depressão pós parto pelo meu histórico de transtorno de personalidade borderline. Tiveram alguns dias profundos e escuros que me questionei sobre quem sou agora…
Mas fui deixando pra trás vários eus ao longo do caminho.
Muitos sonhos se transformaram e outros foram esquecidos.
Mas agora não sou só eu, somos nós…
Eu não serei em primeiro lugar e isso dói.
Dói nos deixar de lado por mais amor que sintamos pelos esse novo ser que carrega parte de mim com ele.
E o amor tbm não foi avassalador na primeira olhada.
Teve muita emoção sim, ver aquele que crescia dentro de mim. Ver meu companheiro de barriga do lado de fora.
Teve muito medo tbm, estranhamento, receio de que ele poderia não gostar de mim.
Medo de não dar conta, de não ser boa, de acontecer algo com ele, de fracassar como mãe, como profissional, como mulher independente…
E tem uma solidão que a maternidade trás. Maternidade em tempos de pandemia não é fácil. As vezes é uma prisão.
Não podemos nos afastar do pequeno humano que depende de nós.
Não podemos sair com ele pq é perigoso.
Então o trabalho passa a ser mais o essencial.
Não consigo pirar nos projetos como antes.
Tem dias que ainda são sombrios, cheios de medos e questionamentos.
Tem dias que minha mente fica aprisionada a um antigo eu...
E só o que me consola, são os aviões que passam na minha janela, me recordando que tudo passa e essa efemeridade depois começa me incomodar como uma unha encravada... Eu vou passar como minha mãe passou e não quero que o Bruno sofra com a saudade dilacerante da ausência de uma mãe. Não quero que ele passe tampouco.
Eu que sempre adorei mudanças, transformações estou apegada as minhas memórias, as lembranças de uma família grande e feliz que tem diminuído e murchado. Natal trás essas coisas também...
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