quarta-feira, 17 de novembro de 2021

Café amargo

 O primeiro soco no estômago doeu, faltou o ar, perdeu-se o chão…

Depois vieram outras mãos a socar 

Fugia dessas mãos para não mais alcançar

Não se começa pelo soco, se começa por toques suaves

Se acostumou tanto a ficar sem afago que as agressões lhe pareciam rotina

Palavras soltas navegam nas profundezas até emergirem num dia nublado

Se preparava para partir

A ideia não evoluía à prática 

Todos os socos metafóricos dados foram permitidos:

A cada não defesa, a cada derrota emocional, a cada desculpa,

A cada dia que permanecia na latrina matrimonial…

Mentalmente organizara todo plano de fuga. 

Mas olhava pro tesouro em sua cama, uma pluma dourada tão frágil a reluzir no esgoto emocional de palavras raivosas

A inocência que persistia no caos

Se resignava 

Ainda regava um minúsculo broto de esperança que adivinhava não prosperar, 

Sabia que as condições não eram favoráveis. 

Que aquele solo era ácido, quase que expulsando a vida dele… 

Tanta dureza tinha que erodir primeiro. Se interiorizar e deteriorar suas rochas emocionais…

Não tinha espaço para brotos prosperarem…

Desejou tanto que aquele deserto se tornasse um bosque, que não percebeu as pedras sufocarem sua essência… 

Fé, amor, esperança, suas melhores qualidades teriam de perdurar para iluminar sua semente dourada.

Ela crescerá e se tornará uma floresta farta.


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