quarta-feira, 4 de agosto de 2021

Indigestão

Olho a tela em branco e não sei por onde começar…

Tanto acontecimento tenso num momento tão intenso quanto a produção de uma vida… 

Não fui mimada, não cozinharam pra mim, não me seguraram no momento que os hormônios transbordavam.

Me solicitaram, me chamaram, me cobraram, me julgaram…

Me colocaram no meio do fogo cruzado.

Aquele papo de poupem as grávidas, deve ser mesmo coisa de filme americano… ou literatura europeia, coisa de gente polida.

Na vida real por aqui mulher é arrimo em qualquer situação.

Vejo homens sem sustento que se desmontam sob pressão, eclodindo suas partes por todo lugar…

E o sexo frágil, lá, desviando e recolhendo tudo… 

A barriga encostando no chão, o mundo nas suas costas, os pensamentos incessantes, um atrás do outro, ao mesmo tempo, buscando soluções. 

Reza, meditação, velas, mantras, incensos, óleos, ervas? emanações para abrir caminhos em meio a densidade turva dos arredores… 

 Tudo ficou escuro, mas ela n pode sucumbir. Tem uma luz dentro dela, tem mais de uma luz dentro dela. Ela é sozinha, mas batem dois corações. Ela n está sozinha, está solitária. Está por conta dela, deles, de todos que chamam, que anseiam dela. 

Mulher por aqui é sugada…

Vira bagaço, é dispensada… 

Mulher por aqui, tem que ser cabra valente se quiser sobreviver.

Mas tem mulheres que sucumbem, que se tornam vítimas, que manipulam, que sabem fazer do drama seu viés de atuação.

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