quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Volto recorrentemente à mesa da cozinha da minha casa de infância, às refeições cheias de vida, de conversas fiadas, de confissões...
Minha mãe, meus avós, meus irmãos
Tenho voltado à tantos bons momentos...
Os lanches da tarde na casa da minha avó, com tios, primos e a simplicidade dos seus cabelos brancos...
Tento me lembrar da sua mão, de quando eu pintava sua unhas...
A mão da minha mãe ainda é vivida para mim
Da minha avó materna ainda me lembro de sua mão com seus esmaltes vermelhos e unhas compridas
Aonde foi parar o aconchego daquela vida tão calorosa e amorosa?
Sinto solidão, uma solidão incompreensível e dolorosa
Sinto que com o passar da vida e das pessoas que amo irem morrendo uma a uma, ela vai se tornando cada vez maior, e acho que vai chegar o momento que ela vai me engolir
Eu assisto as pessoas construindo e enchendo novas mesas e essa continuidade não existe pra mim.
Eu vou morrer sozinha numa casa no meio do mato sem ninguém pra segurar minha mão ou cuidar e tentar lembrar dela quando os anos forem apagando minha imagem.

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