quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Éter

Os ossos gelados anunciam a nuvem cinza
A tristeza escorre pelos olhos
Não há alguém que possa ouvir a solidão da alma
Não existe lugar para quem sente além
Queimam na fogueira
Mandam para a secção de peças com defeito
Chamam de fraco
Dizem que não se enquadra ao meio
Minha mente tem um par de asas
E me davam pílulas para que eu não pudesse voar
Porque você não é igual?
Diferente!
Esquisito!
Louco!
Precisei escapar da realidade que me cercava para sobreviver
Porque sinto mais do que devia para aceitar a farsa
Eu vejo o que a maioria não vê
Eu ouço o que a maioria não escuta
Eu sinto no meu corpo o sentimento que emanam de suas almas
Eu sinto o cheiro da morte antes que ela seja anunciada
Eles queriam me concertar
Mas eu não estava quebrada
Eu apenas sabia os defeitos deles
Eu via a ilusão
Eu via a realidade feia e fria
A venda não fica nos olhos por muito tempo
O valor do ser nunca pode ser substituído por posses
Você vai precisar ter mais e mais e mais e nunca estará satisfeito
Vai estar amarrado, preso no seu cenário mentiroso
Enquanto eu, consigo carregar tudo que me pertence no meu corpo fraco e defeituoso
Tudo que é importante para mim
Esta na minha cabeça que voa
No meu coração alegórico
Porque tudo, esta em todo lugar
Tudo que esta fora, esta dentro
O arrepio do medo percorre meu corpo
Estou paralisada nesse momento
Deus mandou seus anjos mas eles não conseguem nos ajudar
Meu coração dispara, a boca formiga, as extremidades amortecem
Algo ruim esta se aproximando
Ele destrói as esperanças
É uma sombra densa, e agonizante que nos impede de ver a luz
Paralisada cada pena da minha mente alada é pulverizada
Nossa arrogância e egoísmo criaram nossa destruição
Não consigo ouvir mais nada além de dor
Não consigo ver mais nada além de escuridão
Tudo é denso, imóvel e agonizante...
Minha voz sai como um gemido abafado, quase inaudível:
Precisamos fazer brilhar
Precisamos gerar a luz que queimara as sombras
Mas ninguém consegue me ouvir...










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