sexta-feira, 15 de julho de 2016

Corda bamba

Depois de muitos anos de vida, conviver ainda é meu o maior desafio.
Eu sempre amei pessoas, festas, reuniões, feiras, porém não gosto de tumulto, multidão...
Mas quanto mais íntima é a pessoa, parece que é mais difícil.
Quando se sai da identidade Eu para Nós, a coisa complica, porque existe muita dificuldade em separar o que é seu e o que é do outro.
Qual é o limite da parceria?
Estamos compartilhando as coisas boas ou só despejando nossas frustrações e culpas nas pessoas que nos cercam.
O Nós, pode ser bem egoísta. Podemos usar o outro de mula, de desculpas de privada emocional sem termos completa ciência disso e sem perceber se outro esta sólido para receber nossa carga sem cair.
Não há desculpas que justifiquem grosserias, explosões, descarregos, sem medidas.
Todos passam por desafios, por dificuldades, todos temos nossa cruz, nossos pesos, nossos vazios, nossos dias de não querer estar neste mundo...
Viver é um conflito interno e externo. É tentar mediar nossos demônios e os demônios alheios...
Cada um tem sua luta e por isso é injustificável agredir, ferir o outro com a desculpa de que estamos numa fase ruim. 
Acho triste culpar os outros pelas nossas escolhas, decisões e concessões.
Isso pra mim é atraso, é incapacidade de se colocar no lugar do outro, porque estar ainda estão muito ligados ao ego.
Como lidar com essas situações de pessoas que amamos, sem nos afetar, sem nos magoar?
Friamente, é fácil compreender as limitações do outro, saber que não devemos tomar aquela atitude para si, à distância tudo é fácil. 
Mas quando estamos presentes, próximos e temos que lidar com as nossas próprias limitações emocionais, com o peso de uma história com erros e acertos, é muito difícil não cair no nosso próprio ego, não nos sentir insultados, vítimas,cheios de autopiedade.
É o eterno exercício do equilíbrio, de mediações diárias, da auto análise, de saber o que nos pertence e saber respeitar o espaço e a personalidade do outro.
Acho tão triste casais que passam a vida tentando moldar o outro para atender uma expectativa interna de perfeição, a famosa projeção.
Por outro lado, tem pessoas que são tão mascaradas no início. que ao longo do relacionamento, você percebe que esta com uma pessoa completamente diferente pela qual se apaixonou, para a qual disse sim.
Mas a escolha de ficar ou partir é sua.
Acredito que o limite para aceitarmos conviver com determinada pessoa, é se a dinâmica do Nós, é muito destrutiva. Se seu mês com ela tem muito mais choro que riso, muito mais briga que beijos e abraçoes, muito mais demonstrações de raiva ou indiferença que de carinho e amor, então essa convivência deve ser separada. Que permaneça o respeito.






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