Mais uma vez me sinto presa em mim mesma, sem saber o caminho que me libertará do medo e me permitirá ser essência...
Estou inerte... sem motivação, sem grandes realizações, sem grandes ideais.
Me tornei uma versão patética de um ensaio da minha própria vida, sem data ou vislumbre de estréia.
É como se eu estivesse esperando minha vida acontecer enquanto ela passa...
Não salvei o mundo, não escrevi um livro, não fiz um filme, não realizei projetos importantes, não desenvolvi nenhuma tese das observações antropológicas que fiz, não me tornei uma chef, uma competidora...
Engavetei todos os projetos que comecei, desisti de tentar...
Eu era idealista, me jogava na vida, tinha opnião, vontade de fazer diferença, vontade de fazer política, de fazer melhor...
Mas em algum momento da vida, me acovardei e desisti de todos os sonhos que tinha...
Descobri que era frágil demais para segurar as decepções que vinha acumulando.
Que não bancava minhas atitudes ante a opnião dos que me diziam que eu estava errada...
Me senti um erro, uma defeito, e me resguardei de ser eu mesma para sobreviver.
Me comprometer intensamente com projetos me deixa extremamente instável...
Não posso me permitir o risco de me magoar, de me quebrar, de me afundar...
Eu tenho tantos cortes doloridos que preferi me esconder para lambe-los, e criei um mundo meu, um mundo de sonhos.
Me divido entre o real e o sonho sem me aprofundar em nenhum dos dois.
Eu sentia o mundo pequeno para tantas coisas que não cabiam em mim, e
Hoje me sinto indiferente dentro do estômago do mundo...
Suicídio anúnciado...
Acho que de fato, desapareci...
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