terça-feira, 11 de março de 2014

O Corpo O Cavalo E As Mortes

O corpo foi retirado do cemitério e levado a casa do antigo morador, foi colocado no porão e tudo cheirava a formol.
A mulher de cabelos curtos e olhos maquiados entrou porque precisava pegar um objeto, ela sabia do corpo, que aguardava, aguardava... só não sabiam o que. 
Ela saiu de lá com cheiro de formol em seu corpo e sua roupa branca. 
Achava que o cheiro nunca mais sairia, mas aguardava.

O cavalo amava a menina e ela amava o cavalo, era um cavalo negro, lindo. 
O cavalo pertencia ao pai, e vivia dentro de casa. 
O pai não suportava o cavalo amar mais a sua filha do que a ele, mesmo que amasse o cavalo. 
Ele também não suportava a filha amar mais ao cavalo do que a ele, e ele amava mais filha do que o cavalo.
Pegou uma espingarda, a mulher só olhava, a filha pressentiu o que ele faria, olhou nos olhos dele e disse muito firme: Se atirar nunca mais me verá! 
Ele atirou, ela arrancou a espingarda de sua mão e atirou em sua própria boca.

O corpo ainda aguardava...

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