Queria não abrir mais os olhos, queria dormir e acordar em outro mundo, o mundo que sonhara...
Os créditos finais subiriam, e não haveriam agradecimentos especiais.
Mas os olhos abriam e ela tentava respirar para encher a falta que habitava nela, e ela se lembrava que respirar, doía.
Mesmo sem querer, seus olhos se abriam e molhavam, todas as manhãs ela chorava, e esperava...
Esperava que algo mudasse, que o dia acabasse, que pudesse dormir e entrar no onírico...
Se esforçava para levantar, para sair e enfrentar o mundo fora da proteção do seu quarto.
O mundo lá fora machucava, as pessoas machucavam, não se pode confiar nas pessoas, principalmente quando elas dizem: "confie em mim, não tenha medo".
Mas lutava todos os dias, batalha após batalha para sobreviver àquela dor, aquele vazio...
Um dia se cansou de esperar pela mudança, e percebeu que sobreviver não bastava.
Ela queria viver, e se queria que algo mudasse, teria que começar por ela.
Mudanças internas, reformas no modo de sentir, de pensar...
Se queria que a luz entrasse, deveria abrir a janela.
E uma a uma foi abrindo as janelas de sua vida para o sol entrar e levar o mofo embora junto com a escuridão.
O mofo é residual da sombra, ele impregna, precisa insistir para elimina-lo.
Precisa deixar a luz entrar todos os dias para prevenir das sombras e dos fungos.
Um dia...
Um dia ela acordará no seu mundo, e tudo fará sentido.
Um dia ela acordará no seu mundo, e tudo fará sentido.
Mas agora não...
Agora precisa aprender a lutar, a seguir, mesmo sem compreender as complicações da vida.
Ela agora precisa viver.
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