Almejava coisas que as pessoas comuns não davam muita importância;
Se encantava com coisas que ninguém parecia perceber;
Era chamada de louca, de esquisita, de bizarra...
De tanto ouvir que precisava se enquadrar no modelo, acabou acreditando que devia ser como os outros;
Mas não se sentia feliz, e aquilo pulsava dentro dela, e ela não entendia, e se esforçava para ficar dentro do molde que lhe deram;
E gritava com a força de alguém que esta espremido e sufocado: Eu não caibo aqui!
Mas ninguém ouvia...
Só diziam: seja assim, olhe a sua volta, olhe seus amigos, olhe seus primos, olhe seus irmãos, eles conseguem, porque você faz tudo diferente?
E ela foi ficando triste, se apagando, morrendo por dentro, e se mutilava para caber no molde;
Mas tantas cicatrizes e tantos gritos, e tanto desespero, a levaram para outro molde;
Você não é normal, é uma pessoa em tratamento: Cuidado Perigo!
Tome isso para se sentir melhor.
Agora não sente mais o molde te apertar não é mesmo?
Anestesia: não sente nada!
Mas também deram para ela, uma pessoa que a ouvia, a escutava,
E a pessoa dizia que ela não devia ser como a massa, que ela era especial, que era única...
E a pessoa dizia que ela não devia ser como a massa, que ela era especial, que era única...
Essa pessoa cuidava para que ela não se machucasse, para que gostasse de ser quem era, e para que saísse de qualquer molde, com cautela e cuidado.
Acharam que a pessoa a ajudaria a viver nos moldes, mas a pessoa a ajudava a ser quem era em sua essência.
A ajudava a lidar com toda a diferença e cobranças e sensibilidade extrema que ela possuía, buscando prioritariamente se sentir bem na felicidade e amenizar sua fragilidade.
Ela que era tão acostumada com a dor...
E ela foi deixando pra trás, as pessoas que não a entendiam, foi ligando menos para o que os outros achavam, mas a opnião dos que amava, ainda importava a ponto de doer.
Percebeu como era fácil para os outros expiarem suas culpas nos "sem molde", e em como era fácil para eles aceitarem.
Os sem moldes, por se sentirem extremamente expostos, sofrem a vida inteira acatando as culpas que lhe colocam, se tornado um processo inerente aceita-las.
Mas ela entendeu, que nenhuma pessoa é um erro, cada um é como é, e muda como pode;
Que ninguém poderia cuidar dela, a não ser ela mesma, porque para cuidar, deve haver compreensão;
É preciso saber ouvir a necessidade, e isso, só o próprio indivíduo é capaz de fazer.
Ainda tinha que lutar com o peso do julgamento das pessoas que amava, e dela mesma, e as vezes o peso da verdade que via, recaía sobre ela, jogando-a ao chão.
E lá permanecia por um tempo, observando de outra perspectiva.
E lá permanecia por um tempo, observando de outra perspectiva.
Via, que os doentes na verdade, eram as massas moldadas, e não sabia o que fazer para cura-los.
Entendeu, porque ela assustava as pessoas com suas idéias e percepção não convencionais;
Poucos estavam preparados para pessoas como ela...
A sociedade estressada, não suporta quem contesta seus valores, quem faz tremer suas tão tênues convicções que mantém sua falsa sanidade.
Ela acreditava em algo mais, algo que não se compra, algo que não cabe numa caixa, algo que não se vê...
Era capaz de dar sem receber em troca, de perdoar quem a havia machucado, de entender o inaceitável, de ser gentil com estranhos...
Ela acreditava em sentimentos!
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