quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Onde Os Raios Não Encontram

Somos iguais eu e você.
Os mesmos medos, as mesmas dores;
Perdidos na imensidão da nossa intensidade;
Na insanidade de um mundo em conflito, sem identidade;
Você sabe, como é ver tudo em cinza;
Que existem buracos muito profundos;
Como é respirar com o peito em chamas;
Que existem lugares onde não devemos ir;
Barreiras que não devemos passar;
Sabe que as vezes, ficar cego é a única saída para não pirar;
E tudo virá uma coisa só, uma bola de fogo devastadora...
E quem poderia lembrar de tudo?
Mas nós sabemos...
E esse saber, nessa densidade, é como andar submersos em pântanos;
Como tentar se mexer em camisas de força;
Você vê toda essa loucura que eu vejo?
Todos estão vendados, mas não nós.
E estão todos surdos, mas não nós.
Entrei no jogo, mesmo sem saber as regras;
E vou jogar, porque meu resultado esta além do placar;
Faço o lance que não se vê...
Então me pergunto, se ainda saberei a diferença;
Se um dia não serei apenas mais uma peça sem sentido...
O que você vê, eu também vejo?
Eu sei como é ser um fantasma de si próprio;
Como é querer salvar aquela criança que não sabia...
Aquele jovem que acreditava que o mundo era seu.
Você se lembra porque chorou quando chegou aqui?
Se lembra da dor que sentiu ao acordar?
Mas do fundo de um buraco, eu vi um sol nascendo;
Grande, e vermelho, nascendo de um céu chumbo;
Me penetrando com suas ondas quentes;
Então eu soube, que apesar de toda dor, de todo aço frio que me envolvia;
Eu ainda podia escolher sorrir ou chorar;
Viver ou me deixar matar;
Agir ou calar;
Ser sozinho ou em par...
Que até na paralisia, poderia haver movimento.
E ainda haverá muita dor, e haverá muita loucura, e muita crueldade, e coisas que não entenderei;
E ainda haverá campos verdes, raios de sol e cavaleiros honrados;
E você não estará aqui com minha casa no seu peito.









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