quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

A balada do meio dia

A morte bateu na porta...
Levou ontem um amigo querido.
Não foi surpresa, ele havia se embrenhado em seu manto há muito tempo.
Mas resolveu finalizar a dança lenta, com um movimento brusco:
Um, dois, três apertar de dedos...
E dois corpos assombram um menino.
Dois corpos também assombraram aquele menino do dedo no gatilho.
O rapaz bonito, que brilhava, que conquistava corações...
Lamento tanto pelas oportunidades que ele não mais terá...
Me pergunto tantas coisas...
Foi a dor de se perceber condenado, de se sentir imobilizado para parar a dança insana?
Foi a angústia voraz da falta do doce veneno?
Foi um momento de piedade por ele e por ela, que o fez dar fim a tanto sofrimento?
Foi uma raiva exacerbada de tudo, de todos e de tanta injustiça no mundo?
Qual o impulso que motivou o ato?
Aquela dor, que faz com que a vontade de acabar com tudo seja maior...
Conheço essa dor...meus dedos já procuraram um gatilho...
Não importa se foi um impulso ou uma idéia maturada dia após dia, de veneno jogado no sangue;
Se aquilo foi crescendo, se o dedo deslizava constantemente pelo aço frio;
Agora, são dois corpos sem alma. 
Agora são duas almas perdidas precisando de luz.
A mim, restam lamentos e questões sem respostas.
E a dúvida de se poderia ter sido eu a me arrastar no rastro do manto negro...
Mas escolhi andar ao sol...
O que difere nossas escolhas?
Como se dá esse momento em que um abraça a vida e o outro abraça a morte?
Talvez por uma coisa que me resta agora acima de todas as questões:
Fé!
Rezo para que sua alma encontre paz, e que possa esbarrar novamente a minha, num lugar ensolarado, num dia de verão...
Muita luz Valmir!


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