Dentro da gaiola dourada, ela era triste e definhava.
De uma maneira surpreendente ela conseguiu fugir.
Deu uma bicada na mão do homem que a aprisionava e se salvou.
De início não conseguia voar, andava tropega e com medo.
De tantos castigos que recebia do homem, aquela pássaro vermelho, estava condicionado.
Skinner sentiria orgulho de ver sua teoria comportamentalista tão bem aplicada.
Tinha medo de ser ferida, apontada, julgada. De ser aprisionada, de não atender aos anseios dos outros e ser rejeitada.
Já estivera em outras gaiolas antes, já havia sido banida por bandos de penachos fartos e colorido,
Já havia sido acusada de ser domesticada demais, selvagem demais, inadequada demais...
Ela só queria voar para onde seu instinto a levasse,
Isso nenhum homem entendia.
Também não queria voar migrando em conjunto sem nem saber porque e obedecendo regras que não creia.
Ela bicava, ela se defendia.
Não podia suportar a vida na gaiola dourada, nem na gaiola de nuvens, nem em gaiola qualquer.
Dentro da gaiola ela não cantava. O homem queria, mas ela não conseguia.
Dentro da gaiola suas penas caiam, então ela já não era um deles, com todos aqueles penachos.
Ela decidiu que jamais entraria em outra gaiola.
E ela andou, e depois voou.
Não sentia mais vergonha, suas penas cresciam e ela voltou a cantar.
Alçou longos vôos com elevadas altitudes. gostava de sentir o vento rasgar em suas penas.
Quando sentia de fato, esse vento da liberdade, se encantou por um pássaro.
Ela já havia voado ao lado daquele pássaro no passado, antes mesmo da gaiola.
Ele tinha penas brancas, bico rosado e olhos azuis.
Voavam juntos, dançavam rodopiando pelos céus tão azuis como os olhos dele.
Dois pássaros voando e cantando juntos. Iam para onde queriam.
Ele também havia se libertado de uma gaiola, não tão dourada, na verdade enferrujada.
Ele entendia como era importante voar com o coração. Sentir o vento nas penas...
Num vôo ela o bicou no pescoço, o sangue tingiu suas penas brancas.
Ele ficou triste e assustado.
Não entendeu, não conseguia compreender, eles não estavam em gaiolas, voavam felizes...
Ainda que trouxessem as marcas das gaiolas na alma,
Não podia entender que era da natureza dela ser assim.
Ela também não entendia, só sabia que em outra gaiola não entraria mais!
Ela sentia demasiado amor por ele, mas era demasiada selvagem.
Ela bicava e se bicava também.
Ele percebeu que suas penas nunca foram vermelhas, eram na verdade alvas como as dele.
Se perguntava se voaria de novo ao lado dela...
Suas penas ainda estavam muito tingidas e pesadas de sangue.
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