quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Cidade Cinza

Hoje acordei com vontade de não ser eu.
De experimentar ser outras pessoas,
Me hospedar em um hotel caro, com um figurino que não seja meu.
Uma persona executiva ou astro do rock.
A executiva acordaria cedo, aguardaria pacientemente a banheira encher de água enquanto o banheiro se encheria de vapor, tomaria um banho lento e quente com produtos loccitane, desceria impecável para o exuberante café da manhã, comeria figos, queijo brie e tomaria chá inglês. Faria o checkout, guardaria o recibo em sua pasta de couro vermelho, e andaria elegantemente decidida, fazendo um harmonioso ruído com seu salto caro.
A estrela de rock acordaria tarde, pediria o café na cama, encheria mais uma taça de vinho sem álcool, a qual derrubaria na cama, acenderia um cigarro e iria com seu roupão quase nua, sentir o vento frio esvoaçar seus cabelos desgrenhados na sacada, enquanto soltava lentamente a fumaça de um cigarro...
Só queria ser um personagem, que expressasse a delicada solidão feminina em sua plena forma.
Solidão esvoaçante, vaporosa, que impregna na pele, e se perde na rotina do dia.

1 comentário:

  1. Uma jaqueta de couro amarela, um copo de vinho tb sem álcool, uma tatto nova no cangote e um couro cabeludo exposto ao vento frio. Eu também estaria lá na versão rock star...estaria ou estou?! Juntas e sozinhas
    (Fernanda Moraes)

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