A idéia da finitude, me consome a tal ponto, que me leva a destruir tudo.
Se vai acabar mesmo, para que começar?
Se vai doer depois, melhor cortar agora.
Sei de todo o discurso de que precisamos aproveitar o momento, de que o que importa é a beleza do caminho e não exatamente o destino.
Mas não consigo evitar a agonia que essa idéia me traz.
Me envenenando, putrificando a esperança,
A ponto de sentir no presente,
A dor que seria do futuro.
Essa dor, me leva ao instinto básico de defesa:
Destruir o objeto da causa.
Carrego inúmeras perdas devido a esse padrão,
Inclusive quase a minha própria.
Para que viver se vou envelhecer e morrer?
Se vou conquistar uma limitação a cada dia.
Me amargurando com as lembranças felizes.
Quando a ansiedade baixa, me ilumina um pensamento:
Se tenho momentos felizes que trazem saudades,
Se temos momentos tão fantásticos, que fazem nossos corações chorarem de felicidade.
A vida então vale a pena.
Tento ter calma para perceber, e colher esses momentos.
Para que, um dia, no fim da estrada, eu tenha um coleção imensa deles.
Para que eles sejam o motivo da minha vida,
O orgulho de ter continuado,
De ter guardado a lâmina fria, que anseia por sangue quente,
Longe do meu corpo, da minha alma.
Não quero morrer carvão...
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