Tudo parece normal, por fora é igual.
Mas dentro, lá nos circuitos cerebrais,
Um defeito congênito, grave e incurável.
Quem poderia dizer que aqueles olhos verdes escondem um oceano de dor e mágoa. Eles podem ver a mentira dos seus.
Quem poderia dizer que aquela pele alva é quase inexistente. Ela esta exposta.
Quem poderia dizer que aquele coração não pulsa. Ele sangra.
Sua magreza esconde toda a intensidade que ela abriga.
Ela vaza, e o mundo cobra.
Como podem aceitar um defeito que não vêm?
Como podem perdoar que ela destrua sua beleza?
Como podem permitir que ela esfregue a finitude da vida em suas caras?
Ela assusta, ela cheira a morte, ela tras a realidade que incomoda.
Ela confronta o conceito de normalidade.
Ela transita por dois mundos: Mergulha no inferior, se suja de pixe, e sobe para tomar banho de chuva com gotas límpidas e claras.
Ela carrega as cicatrizes das dores licitas e ilícitas. Ela se doe também pela dor alheia.
Catalisadora de sofrimentos, ela deve chorar calada.
Como podem aceitar que ela não é boneca, com caixinhos dourados? Ela pensa. Ela contesta. Ela enlouquece. Ela envergonha.
Ela não quer suas expectativas. Ela não quer seus remédios. Ela não quer suas regras!
Ela quer ser, apenas ser, humana.
Sem comentários:
Enviar um comentário