quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Miro ou Miró

Dia da morte do Scott, achamos um cachorro preto no bar.
Eu disse: foi um sinal, vamos leva-lo p/ casa.
Chegando em casa, após aquele vira-lata grande e preto explorar o território, surge o impasse: que nome vamos dar?
Várias opções depois, queria homenagiar uma figura muito importante da minha infância: Miro Preto (um velho bebado, de cachimbo q vivia caindo do cavalo), óbvio q o Sr. Black n podia aceitar um nome tão brasileiro e cheio de significado para mim.
Como ele poderia parecer culto e viajado se ele assumisse esse nome? Na sua obviedade ele diz: vamos chama-lo de Miró. Claro q gosto das obras do Miró, mas esse nome não tinha o mesmo significado, nada q o ligasse ao cachorro.
O cara q precisava ter a casa mais bonita da rua, n poderia ter um cachorro chamado Miro.
A velha limitação do parecer. Parecer melhor, parecer forte, parecer liberal, parecer diferente, quando no fundo, era massificado. Queria ser Miró, queria ser vanguarda, mas se limitou a ser mais uma voz que sumia a repetir com a massa.

1 comentário:

  1. Perfeito!!! Eu, se tivesse o dom, poderia ter escrito exatamente esse conto a respeito de alguém cuja imagem aos poucos se dissipa por entre a névoa do passado... Não o fiz, encarregou-se a minha borderline favorita.
    Lôra

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